Um levantamento realizado em 2023 pelo UNAIDS, um programa conjunto das Nações Unidas que tem como objetivo liderar e coordenar a resposta global à epidemia de HIV e AIDS, apontou que, na época, 39,9 milhões de pessoas no mundo viviam com HIV.
Apesar da evolução nos últimos anos, o tema ainda pode ser considerado um tabu para a sociedade. Por isso, pouco se ouve sobre formas de combater o problema. Especialistas apontam que a PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) e a PEP (Profilaxia Pós-Exposição) são as melhores formas de prevenção à doença.
O que é PrEP?
PrEP é a profilaxia pré-exposição e é um método de prevenção classificado como “biomédico”. Ela é a combinação de dois medicamentos: tenofovir e entricitabina, que bloqueiam alguns “caminhos” que o HIV usa para infectar o organismo. Existem duas modalidades de PrEP indicadas: a PrEP diária e a PrEP sob demanda.
- PrEP diária: ingestão diária dos comprimidos, de forma contínua, indicada para qualquer pessoa em situação de vulnerabilidade ao HIV.
- PrEP sob demanda: consiste na tomada da PrEP somente quando a pessoa tiver uma possível exposição de risco ao HIV. Deve ser utilizada com a ingestão de dois comprimidos de duas a 24 horas antes da relação sexual + um comprimido 24 horas após a dose inicial de dois comprimidos + um comprimido 24 horas após a segunda dose. A PrEP sob demanda é indicada para pessoas que tenham habitualmente relação sexual com frequência menor do que duas vezes por semana e que consigam planejar quando a relação sexual irá ocorrer.
O que é PEP?
A PEP é outra estratégia de prevenção biomédica que utiliza medicamentos e é um método que você toma a pílula depois que uma exposição já aconteceu. Da mesma forma que é possível comparar a PrEP com uma pílula anticoncepcional, a PEP pode ser comparada com uma pílula do dia seguinte para prevenção do HIV. No Brasil, ela utiliza três antirretrovirais em sua composição: tenofovir, entrestabina e dolutegravir.
Em entrevista exclusiva ao site da TV Cultura, o médico infectologista, pesquisador do HCFMUSP e fundador da VenLibre, Rico Vasconcelos explica sobre a eficácia dos métodos.
“Eu gosto de pontuar sempre que PrEP não é diferente de preservativo e de nenhum outro método de prevenção. Só funciona se você usar direito. Não é 100%, mas é muito perto disso. Isso em quem tem boa adesão. Em quem não tem boa adesão, não tem boa proteção. A PEP, por sua vez, o medicamento é ingerido depois que uma possível exposição já aconteceu. O importante é iniciar o método dentro das primeiras 72 horas após o ocorrido. Sendo tomado corretamente por 28 dias, é possível bloquear uma infecção por HIV de maneira bastante, potente, tal qual a PrEP”, explica o médico.
Efeitos colaterais
Os dois métodos podem causar alteração renal, segundo Vasconcelos, principalmente por conta do tenofovir, presente nas composições. No entanto, o médico ressalta que tal limitação é muito rara.
“Menos de 1% das pessoas desenvolvem (alteração renal) e é reversível quando você identifica e interrompe o tratamento. Na PEP, não gera preocupação porque a pessoa vai tomar por apenas 28 dias, então não dá tempo do problema se desenvolver. Ela ainda é mais frequente nas pessoas com mais de 50 anos e em pessoas que já têm uma função renal prejudicada”, afirma.
De acordo com o especialista, no início dos tratamentos, é comum que o indivíduo apresente um desconforto abdominal gastrointestinal, que é apenas o corpo se acostumando com a medicação, mas que ocorre a melhora sozinha quando a pessoa dá continuidade ao procedimento.
Onde ter acesso aos tratamentos?
O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza tratamentos de PrEP e PEP na teoria, mas o infectologista assume que o acesso pode ser facilitado ou dificultado conforme a região em que o cidadão mora.
Rico Vasconcelos indica ainda a startup VenLibre, que, de acordo com ele, tem o objetivo de ampliar o acesso, principalmente para as pessoas que moram em lugares que não têm esse serviço ou não se sentem à vontade de ir atrás do tratamento por vergonha ou medo de discriminação.
Informações da TV Cultura
Foto: Ludmilla Souza/Agência Brasil

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